A OBRA DO SÉCULO!

23 de Agosto, 2020 Por admin_sim

Aproveito este espaço de opinião e debate, e que importante é o debate no concelho, para partilhar a minha visão sobre a obra apelidada como a “obra do século”.

Em jeito de resposta antecipada àqueles que irão apressar-se em dizer, “lá estão eles a criticar”, a nova ligação rodoviária que liga Mondim a Celorico é importante e bastante positiva para Mondim. Nunca afirmei o seu contrário.

Claramente estamos melhor com a ligação tal qual foi construída do que se a mesma não existisse. 

Mas esta avaliação chega-nos? Somos nós, o povo Mondinenses, de tão fácil agrado? Contentamo-nos com o pouco que nos dão? 

No que a mim se refere, e este artigo é apenas e só a minha opinião, estão a vender-nos pouco como se fosse muito.

Mas vejamos.
Será a obra do século? 
Qual?
O século XX não deve ser uma vez que acabou em 1999.
Será a obra do século XXI? 

Aparentemente é isso que nos vendem.  Mas será que já se deram conta que estamos no ano 2020, ou seja, estamos a 1/5 do século. 

Não teremos nós e as gerações vindouras obras de maior importância e relevância para o concelho, quer pelo valor investido, quer pelo contributo para o desenvolvimento do concelho? Sinceramente espero que sim.

Significa isto que a apelidada “Obra do Século” não passa de comunicação demagógica, que procura limitar a nossa ambição para o desenvolvimento do concelho. Temos o direito de querer mais do nosso futuro.

E a obra em si, já se deram conta?
Como disse, a obra é importantíssima para Mondim, passo e passarei por ela diariamente, tal como muitos residentes no concelho que têm emprego fora de Mondim. 

Não pretendo discutir se é uma ponte com as dimensões necessárias. Não sou técnico, parece-me que a ciclovia (necessária) não foi devidamente planeada e estreitou demasiado as vias de circulação. Mas, os camiões, mesmo que tenham quase de parar para se cruzar ganham tempo, antes tinham de ir a Fermil. Não sei bem se estou a ser sarcástico. 

Pronto, não está bem…, mas está melhor do que estávamos.

Mas ainda no que à construção se refere, existe uma situação que me deixa deveras perplexo. 

Não é que alguém que esteja na zona fluvial do Tâmega e pretenda vir para o centro de Mondim, de automóvel, tem que ir ao concelho vizinho!!

É como eu estar na piscina de minha casa, mas se quiser ir à sala, tenho que ir ao jardim do vizinho.

Erros só os não comete quem nada faz.  Mas existem erros que nunca deveriam existir.

Para terminar esta minha opinião deixo aqui uma série de perguntas que todos devemos fazer a nós próprios. Pronto, temos a “Obra do Século”. E agora? Qual é o plano para aproveitar a obra. É turismo? Como? É Indústria? Qual? É floresta? É a agricultura? Qual a visão das entidades responsáveis para explorar este novo recurso?

Nós podemos dar ideias e apresentar alternativas, mas é o poder local que tem todos os meios, e já agora a obrigação, de traçar uma visão de futuro. Ou o futuro do século parou com a “Obra do Século”?

O que assistimos é preocupante. Temos assistido, e iremos assistir durante os próximos anos, à vangloriação, por alguns, de serem os responsáveis pela “Obra do Século”. Mas deixem-se de brincadeiras, essa entidade chama-se “Infraestruturas de Portugal, IP”.

Neste momento já devíamos estar a pôr em prática um plano para aproveitar a “Obra do 1/5 do Século”. 

Se a variante não dependeu de nós, Mondinenses, o plano de aproveitamento da infraestrutura, sim. Depende apenas da nossa competência ou falta dela.

Resumindo. Estamos melhor do que estávamos. Mas podemos estar muito melhor do que estamos.

Francisco Ramos

*As opiniões expressas nos artigos são da completa e exclusiva responsabilidade dos seus autores.