Plano de Gestão Florestal: Qual a sua importância?

15 de Novembro, 2020 Por admin_sim

A ocorrência de um elevado número de incêndios florestais em Portugal persiste preocupante, onde o fogo lavra milhares de hectares todos os anos, e segundo o relatório provisório do ICNF de 1 de janeiro a 15 de outubro de 2020 resultou num total de 65 887 hectares de área ardida.

Como o resto do país, o nosso concelho, Mondim de Basto, tem sido fustigado por incêndios florestais, tendo ardido mais de 200 hectares de floresta e mato apenas em 2020.

Um desolador exemplo, o incêndio no Monte da Senhora da Graça (Monte Farinha), constituído por uma enorme mancha florestal de Pinheiro Bravo (Pinus pinaster), onde a indústria extraí os seus derivados, maioritariamente a madeira e resina. De salientar, que o mesmo é igualmente procurado para atividades sociais de cariz religioso, turístico, desportivo, lazer, cinegética ou a recolha de espécies silvestres (e.g., medronhos e cogumelos).

Consequentemente, toda a área devastada pelo fogo carece de rápida intervenção pós-incêndio e de um plano de reflorestação, visando não só a remoção de material queimado, controlo da erosão dos solos, proteção da rede hidrográfica e habitats naturais, bem como um plano estratégico de sementeira e plantação de espécies arbóreas e arbustivas de reduzida inflamabilidade, ou seja, mais resistentes ao fogo (e.g., género Quercus, Arbutus unedo, Castanea sativa, Betula celtibérica, entre outras espécies).

Para que seja possível uma intervenção rápida, responsável e sustentável, o Município de Mondim de Basto deverá ceder apoio técnico especializado e promover a criação e implementação de um Plano de Gestão Florestal específico para o Monte da Senhora da Graça, em estreita articulação com os gestores e co-gestores dos territórios comunitários, vulgo baldios, criando um projeto piloto de reorganização, coordenação e gestão de ações de Defesa da Floresta Contra Incêndios.

Todos sabemos que os incêndios florestais são uma das maiores ameaças ao desenvolvimento sustentável da nossa floresta, e investigadores corroboram a hipótese de maior probabilidade de fustigação de fogos florestais, quer de causas naturais quer de atos negligentes. Posto isto, é fundamental implementar e atualizar as medidas preventivas delineadas no Plano de Gestão Florestal de forma a mitigar as consequências inerentes às diferentes origens.

A prevenção é a única ferramenta eficaz e todos nós, enquanto comunidade, podemos ser uma parte ativa desta causa.

Paulo Portilha

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