Assembleia Municipal recusa discutir recomendação de testes à população

13 de Dezembro, 2020 Por admin_sim

A Assembleia Municipal em Mondim de Basto, que teve lugar na passada sexta-feira, 11 de dezembro, ficou marcada por forte polémica. 

Em causa está uma proposta apresentada pelo PSD de recomendação ao executivo para que lance um programa de rastreios, de testes de despistagem à população. 

A proposta foi recusada não tendo sido sequer possível haver espaço para a discussão. 

O deputado municipal, Bruno Ferreira, apresentou uma proposta de recomendação para a realização de testes de despistagem a toda a população do concelho que, de forma voluntária, o desejasse realizar, isto numa altura em que Mondim de Basto se encontra na lista dos concelhos com risco extremamente elevado, sendo o segundo município nacional com mais casos por 100.000 habitantes. 

Em reacção à proposta do PSD, a Presidente da Câmara, Teresa Rabiço da Costa (PS), afirmou em plena Assembleia que os testes “não valem nada”, enquanto o atual Vice-presidente da autarquia e presidente do Partido Socialista local, defendeu que a medida representava “custos económicos elevados”. 

“Mas afinal quanto vale a saúde dos Mondinenses, para a autarquia?” Um verdadeiro “escândalo” nas palavras de Bruno Ferreira que lembra que a saúde dos portugueses e dos mondinenses não tem preço, além de que as declarações irresponsáveis de que os testes “não servem para nada”, são contrárias a tudo o que tem sido defendido pelo Governo de Portugal, (da mesma cor política da autarquia), Direção Geral de Saúde, e autoridades internacionais. 

Já quanto aos custos, para o PSD de Mondim de Basto “não se compreende, como é que no meio de um forte aumento da pandemia no concelho, o que preocupa a Câmara Municipal são os custos, o que é inclusive uma falsa questão”. 

A título de exemplo, se a opção recaísse sobre os testes rápidos certificados, e se todos os 6.000 habitantes o realizassem (6.000 x 25€), significava um investimento de 150.000€, o que representa apenas 1% do orçamento municipal, contesta, preocupado, Bruno Ferreira, frisando que “é com este executivo que os mondinenses podem contar”. 

“Uma Câmara Municipal que acha que os testes são um desperdício e que perante o cenário agravado da pandemia em Mondim de Basto, não pode investir 1% do seu orçamento, é uma Câmara Municipal que não está minimamente preocupada com a saúde e com as consequências económicas e sociais da pandemia na nossa terra”, afirma Bruno Ferreira. 

Só neste último mandato, o executivo municipal já pediu 2,37 milhões de euros de empréstimos bancários e precisamente nesta Assembleia Municipal viu aprovado um pedido de empréstimo de 103 mil euros, e agora que estamos a falar de um caso de saúde pública, a proposta não chega sequer a ser discutida”. 

A incidência em Mondim de Basto, no distrito de Vila Real, fixa-se agora nos 2.274 novos casos por 100 mil habitantes a 14 dias. Entre a última semana de novembro e primeira de dezembro, o concelho registou um aumento de 32% de novos casos de infeção pelo SARS-CoV-2. 

Ainda aquando o surto no Lar da Santa Casa da Misericórdia, à imprensa, a autarquia assumia que “pelo risco que representa”, o combate ao foco “é prioridade de todas as entidades”. No entanto, “na hora de passar das palavras aos atos, o executivo comporta-se desta forma inadmissível, recusando sequer a discussão”, acusa Bruno Ferreira. 

Recorde-se que em Portugal, testar toda a população não seria caso único. Foram vários os Municípios que já o fizeram, como por exemplo Cascais, no distrito de Lisboa, que foi a primeira autarquia portuguesa e uma das primeiras a nível mundial a avançar com os testes a toda a sua população, recorrendo aos testes serológicos. 

Podes ouvir a apresentação da proposta aqui.